Parti para voltar
Parti, imposição a mim própria, para poder chegar
Parti, para me poder transformar
Parti porque é tão bom chegar a casa depois de qualquer viagem. A porta é acolhedora, não há cama como a minha, o sofá já tem o corpo moldado, o cheiro é o que reconheço.
Sempre, a meio de qualquer viagem, tenho saudades de casa.
Saudade, é este nosso sentir tão português, que não consigo definir.
É esta vontade de saber onde pára alguém ou de lhe ouvir a voz, receber um mail, ou ver um comentário num post arrancado sem jeito
É sempre um desejo, que sei que não vai ser realizado…....ou irá, tão simplesmente porque quero
Saudade, este nosso sentir
E às vezes, poucas,
É também querer o não querer
Sentimento ambíguo, desfasado, dual
Esse sentir, que não consigo definir
Saudade, uma genuína emoção, que vem do mais fundo de mim, de nós, ao consciente, que empurro outra vez lá para o fundo, sem que obedeça, pairando, qual fantasma de banda desenhada de branco vestida, rondando, roendo, e ao tentar fazer-lhe uma festa na cabeça, a mão entra por ela adentro e troçando vai e volta não me largando.
Saudade, este sentir português
Não me sai do pensamento
quero e não quero, vai e volta, roi, doi, mas passa, para voltar mais uma vez, infiltrando-se devagarinho e quando dou por ela, lá fica, forte, insistente, poderosa, não me deixa olhar para o lado
Saudade é este nosso sentir, que não consigo definir
Parti, mas estou chegando, semi-transformada, ainda por acabar, não há fim à vista nesta viagem feita diariamente num ir e voltar que talvez tenha um final, num tempo que desconheço.
Parti para ter esta saudade de voltar, de chegar









