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29 de Outubro de 2009

NÃO SEI QUE TÍTULO DAR





Vou para a casa mãe, o CLARAS EM CASTELO
Foi este o blog que abri quando comecei na blogosfera, é ele que conta a minha história por aqui.
Quando por lá passo, sinto-me em casa.
Espero lá por todos, por todos os que têm tido a paciência de me aturar

22 de Outubro de 2009

HÁ 38 ANOS JÁ SE FALAVA





E QUISEMOS LÁ SABER! NÃO MELHORÁMOS NADA, AINDA




10 de Outubro de 2009

PRAXES, SIM OU NÃO?








Não percam a discussão sobre as praxes AQUI, posts escritos por vários convidados, ainda só vão no primeiro, mas a discussão acesa.
Já há um aluno morto.
O que se dirá aos pais dele?

5 de Outubro de 2009

SEIS MINUTOS DE ENCANTAMENTO








22 de Setembro de 2009

VEJAM! VALE A PENA









20 de Setembro de 2009

DIVIRTAM-SE









18 de Setembro de 2009

PENSEI EM SI, FUNES





que se calhar já está a par de tudo isto e pensei também no Carlos Dugos, um pintor de quem muito gosto.
Gostaria que se não ficassem pelo nome e mudassem de página e também não se fiquem pelo princípio, pois o final é estonteante.
Não se está no domínio da espiritualidade, está-se no campo da física e da matemática.
Tenho sempre gostado muito da física quântica, mas tinha-me ficado pela Teoria das Cordas, que foi o que me levou a pensar no Funes. Um Universo em que tudo é música!
Nos anos 90 o stress no meu trabalho aumentou exponencialmente e a física foi sacrificada. Não tinha tempo.
Encontrei este video hoje e fiquei encantada.
São 45 minutos para ouvir com calma e muita, mesmo muita atenção.





16 de Setembro de 2009

O CAPITALISMO NEOLIBERAL DO SÉC. XXI






Desta vez mandaram-me este mail, um dos meus filhos. Para vos ser completamente sincera, não o consegui ver até ao fim. Nunca consegui ver filmes de terror, este é a vida de terror.
Saber que existe esta vida de terror, faz-me mal. Não sei o que possa fazer para a aliviar


22 de Agosto de 2009

POLÍTICAS



Não sei o que mais me deprime, se um mail que me mandaram com um youtube com José Pinto Coelho do PNR, se este que estava ao lado




10 de Agosto de 2009

SÃO CINCO, FANTÁSTICOS








5 de Agosto de 2009

CONVERSANDO COM UM NETO





sobre educação sexual, apareceu como NÃO PODIA DEIXAR DE SER, o uso de preservativo........

O primeiro video foi premiado



O segundo é hilariante



16 de Julho de 2009

DUO DE GATOS





Hei-de voltar, quando estiver melhor
Entretanto fica este video, delicioso, recebido por mail





17 de Junho de 2009

KOYAANISQATSI - LIFE OUT 0F BALANCE





Sei que quarenta minutos é muito tempo, mas como cada video só demora dez minutos.....venham cá MAIS VEZES ATÉ OS VEREM TODOS, ou vão youtube
NÃO DEIXEM DE OS VER.
Fazem parte de uma trilogia que espero vir a editar aqui

















8 de Junho de 2009

DISCURSO DE OBAMA NO CAIRO





São as partes mais importantes do discurso de Obama no Cairo e são só 5 minutos.
Se o quiserem ouvir todo, está no YouTube
Não tenho necessidade de comentar.
No entanto deixo a esperança de que não sejam só palavras





26 de Maio de 2009

SER OU TER




Paulo Medeiros





Os pobres desejam ter, quanto mais não seja dinheiro para comer. Não lhes pode interessar o ser, porque só serão se tiverem de comer, para não falar dos que nada de nada têm.
Os ricos e muito ricos desejam ter bens que podem comprar com o dinheiro que têm. A maior parte deles pensa que é, porque tem.
Isto vem a propósito da educação e dos valores morais do post anterior, vem a propósito também do consumo e do ser e do ter-se.
«Só se é quando se tem bens; quanto mais se tiver mais se é» esta foi a herança deixada pelas gerações mais velhas do antes de Abril de 74 aos operários e aos trabalhadores rurais, talvez os dois tipos de trabalhadores que mais se desenvolveram financeiramente no pós 25 Abril, com os seus salários a aumentarem estrondosamente.
São estes pais, a quem faltou na juventude quase tudo, que fazem os maiores sacrifícios para que nada falte aos seus filhos, e quando digo nada, refiro-me por exemplo a um blusão de cabedal de uma marca conhecida dado a um filho de 12 anos que custou mais do que todo o salário da mãe, só para o menino não se sentir mal ao lado dos seus colegas.
Asneira? Que sei eu disso se nunca me senti posta de lado por colegas e muito menos por não ter de vestir. Como se diz a uma mãe que quase não andou na escola e quando o fez foi descalça que é asneira gastar mais do que o seu salário, salário esse que fazia falta em casa, para comprar um blusão de cabedal que no ano seguinte já não servirá ao filho?
São estes filhos que tudo tiveram, que viram os seus pais fazerem os maiores sacrifícios para que nem sequer as parvoíces lhes faltassem, agora já com um canudo na mão que acham, por terem sido assim educados, que tudo lhes é devido.
Eles têm de ter para ser, foi isso que sempre desde gerações lhe foi incutido. O senhor Doutor era o Senhor Doutor, não por saber, sabiam lá eles disso, mas porque tinha uma casa, ou uma quinta e tinha trabalhadores ou criados e criadas a trabalhar para si.
Eles tinham, por isso serem doutores.
Eis agora a segunda geração que já é doutora e sente que não é, porque não tem e pensa, com toda a sociedade a dizer-lhe que pensa bem, com toda a sociedade a dar relevo ao que o Figo ou o Ronaldo ganham, que se comprar, se mostrar que tem, mesmo que comprado fiado, passa a ser. Endivida-se então para comprar o carro, a casa, o frigorífico mais as máquinas de lavar e ainda o pc tanto o fixo como o portátil, mais o serviço da Vista Alegre que o banco vendia e também o de copos de cristal.
Como se explica a estas pessoas que se pode ser sem se ter, que o importante é ser, quer se tenha ou não?
Ainda no outro dia ouvi dizer que para arranjar emprego é necessário 50% de conhecimentos, 30% de sorte e 20% de sabedoria.
Fiquei arrepiada, porque conheço bem a pessoa em questão e sei que não foi educada assim. O que se terá passado então de lá para cá?
Os ‘conhecimentos’ são uma forma de ter e toda a sociedade capitalista, pelo menos até esta crise, depois logo se verá, quer ter, quer só ter, dinheiro, bens, conhecimentos e faz tudo, esfola o gato e rouba a mãe, para ter.



22 de Maio de 2009

OUTROS TEMPOS








Obrigado INÊS, pelo mail.





Gigliola Cinquetti fará 62 anos em Dezembro, só dois meses mais velha do que eu. Tinha dezasseis anos quando cantou no festival de San Remo em 1964, penso que foi em San Remo.
Não, não me parece que tenha sido ontem que a vi, porque o tempo, naquele tempo, nunca mais passava, um ano era igual a dois ou três de agora.
Mas lembro-me bem do que torci para que ela ganhasse, enquanto assistia à votação do festival da canção.
Dei por mim a olhar enternecida para a letra e a pensar que se fosse hoje esta canção nunca teria sido escrita. Dá para imaginar uma rapariga de 16 anos a dizer que não tem idade para amar? ou que não pode sair sozinha com o namorado? ou querer viver um amor romântico à espera 'daquele dia'? porque era obrigatório casar, nada de confusões e casar virgem, não esquecer. Dá para imaginar ser-se concorrente num festival, gravado pela televisão, vestida de saia e camisola?
Fico-me a pensar no amor romântico.....juras eternas, não conseguir viver sem nós e nós sem ele.....acreditávamos nisso tudo, aos dezasseis anos e mais tarde, embora disséssemos que isso eram histórias da carochinha, no fundo, bem no fundo esperávamos que fosse verdade, pelo menos com cada uma de nós, queríamos ser as inspiradoras, as musas daquele que vivesse connosco.
É verdade que não podíamos sair com o namorado sem o irmão ou irmã irem atrás, dar a mão só às escondidas......por baixo de um livro, Ha!Ha!Ha! Dançar de cara encostada era um perigo, os padres avisavam, um beijo? nunca!!! no entanto ninguém nos preparou para o que a vida nos tinha reservado. As decepções foram muitas e rápidas. Uns ficaram-se, outros viraram a mesa e outros ainda separaram-se.
Sei agora, enfim, há uns anos, bastantes, que ninguém nos pode preparar para a vida.
Eu que sempre fui reguila, que sempre pus em causa toda a educação que me deram, dei por mim a pensar que se não tivesse havido essa educação não tinha existido esta canção que é uma ternura.



18 de Maio de 2009

ABRIL/MAIO




Barbara Matthews






Este ano não festejei nem Abril nem Maio. Não festejei na blogosfera, bem entendido, porque no coração festejo em cada dia que me lembro e lembro-me muitas vezes.
Tal como o Natal, Abril é quando um homem quiser e uma mulher também.
Passeando pela blogosfera e tenho-o feito tão pouco, ainda assim deu para perceber o saudosismo que por aí anda..... à solta e eu sem o compreender.
Falam de que não foi para isto que se fez Abril, que falta fazer Abril, que o povo já não ordena, eu sei lá, um monte de coisas, mas quem fala sempre se põe fora da acção e é isso que eu não entendo.
Vejamos as minhas verdades:
Quem fez o 25 de Abril foram uns capitães, a quem agradeço do fundo do coração, que estavam fartos das comissões nas colónias, fartos de verem morrer e ficarem estropiados camaradas seus, fartos de verem morrer filhos com febres, paludismo e malária.
É bom que se não esqueça que não houve povo algum, que não houve partido algum, nem mesmo o PCP.
É verdade que bastou 13 anos de guerra para acabar com um regime que tantos lutaram para deitar abaixo sem o conseguirem. É verdade que deram volta à cabeça dos militares do quadro, mas quem lhes deu uma visão diferente foram os milicianos, principalmente os alferes milicianos, quase todos oriundos de faculdades. No meio desses alferes estariam também PCPs, mas a maioria não tinha partido, eram só contra uma guerra que não tinha sentido. Eram só contra o regime.
A democracia viria mais tarde ou mais cedo, penso, o que ninguém sabe é em que condições e desse passado alternativo ninguém quer falar. Muitos sempre atiram pedras contra a descolonização, sem nunca quererem imaginar como teria sido a descolonização nesse passado alternativo.
O Povo saiu à rua rua, todo, há sempre excepções, a festejar. No 1º de Maio viram-se Mercedes, muitos Mercedes, os BMs ainda não tinham status, Porsches , Ferraris a buzinar pelas ruas, com cravos na mão. Inesquecível.
O Povo nunca ordenou, o Povo sonhou ordenar, esse Povo que somos todos nós, votou e entregou o poder com que sonhava nas mãos de outros, pensando que sonhavam a mesma coisa....não sonhavam! votou outra vez e outra e outra e outra, entregando o poder àquele, dando maioria absoluta e este por diversas vezes, e por uma vez a áquele.... enfim, apesar de tudo não tenho dúvida que estamos, esse Povo, o Povo Português, melhor do que estávamos antes de Abril de 74.
Está mal? E de quem é a culpa? Não me falem em governantes.
A culpa é de todos nós, e de cada um de nós que milita ou não milita, que vota, ou que não vota, mas que de todos os modos escolhe. A mim sempre me surpreende esta facilidade com que descartamos responsabilidades, esta facilidade com que nos sentamos no sofá a mandar bocas para os outros
A culpa deste saudosismo bacoco e minha e tua. A culpa de haver ou não haver Abril é minha e tua.
Nada de tentar desculpabilizar.



16 de Maio de 2009

BONS BLOGS






Andava eu à procura de uma imagem, quando me deparei com este blog.
Comecei por um post muito bem escrito e documentado sobre Van Gogh em junho de 2007.
Aqui fica para darem uma espreitadela
Pergunta se quer continuar a ver, aquelas coisas que o blogger faz vá lá saber-se porquê

PORTFOLIO X


14 de Maio de 2009

AS FASES DE UMA CRISE IV



Leonid Afremov




- O Nuno sapo, é de morrer a rir, exclama Rita, aquele borraco um sapo!!!
E lá voltam as gargalhadas.
- sim, a imagem é engraçada, remata Isabel, mas o Nuno é capaz de não lhe achar graça nenhuma.
O Nuno, entretanto deve estar a sofrer tanto com o distanciamento, como por saber que Maria “pode” estar apaixonada por outro.
Deve estar a passar por momentos de profundo amor tentando demonstrar a Maria que a ama mais do que tudo e, eventualmente, mais do que todos; deverá querer demonstrar esse amor de forma também física.
Para um dependente a relação sexual será a única maneira de obter o controlo sobre o dominante, visto que para o dependente as relações sexuais são a única forma de possuir o outro.
O Nuno se sentir retraimento da parte da Maria, entrará cada vez mais em ansiedade e medo de a perder, o que fará com que misture o amor com a dor.
Poderá estar, consecutivamente, a fazer-lhe declarações de amor, o que o fará entrar em maior ansiedade, visto Maria parecer estar fria em relação a ele, eventualmente interessada por outro.
- parece estar? pergunta Matilde, está, pelo menos afirma-o
- não é líquido que o esteja, responde Isabel
- explica lá isso, pede Mitó
- não há nada a explicar. Não se sabe se a Maria está verdadeiramente fria em relação ao Nuno ou interessada noutro. Pode ter havido factores que a levaram a pensar que estava, ou ter-se enganado quanto aos sentimentos. Eu sei lá, tanta coisa pode ter acontecido.
- é natural que o Nuno passe, mais tarde por uma fase de raiva contra a Maria, e contra si, por se ter empenhado tanto em não a perder e ela não o ter aceitado. Mais cedo ou mais tarde dará por isso e tentará outras abordagens, porque irá perceber que as suas tentativas não resultam.
Pode tentar fazer-se difícil, ou tentar fazer-lhe ciúmes. O perigo desta situação é poder envolver uma terceira pessoa, se ele ainda estiver centrado na Maria. O que não há dúvida é que o seu sofrimento é real e cada vez maior, podendo achar que não vai conseguir aguentar tanta dor.
A Maria deverá querer separar-se, se o Nuno não se modificar.
- então ainda há esperanças? Pergunta Rita
- se ele conseguir mudar.
Todas as pessoas, quando entram num estado de dor, usando mais uma vez uma imagem, conforme a dor vai aumentando descem a um poço. Depende de pessoa para pessoa, o nível a que está o fundo do poço.
Durante essa travessia do deserto, poderão perder o apetite, ou comer avidamente, ou poderão vir a consumir drogas ou álcool.
Quando se chega ao fundo do poço, o único caminho (não quero falar do suicídio) é para cima, e o dependente mal começa a ascensão, deixa de o ser.
Evidentemente, que se nalgumas pessoas o fundo do poço não é muito fundo, porque a sua capacidade de sofrimento, ou sua auto estima não os deixam sofrer durante muito tempo, haverá outros que para atingirem o fundo demorarão mais tempo, assim como haverá quem tenha uma subida mais lenta e outros mais rápida.
É normal recuperarem toda a sua integridade.
- Isso era tudo muito bonito se não estivessem já separados, acrescenta Matilde
- Foi uma decisão acertada a do Nuno. Quanto mais depressa se afastar mais depressa poderá deixar de ser dependente.
Para isso deveria ter a força de vontade, a auto estima ou orgulho, como lhe queiram chamar, de deixar de ‘namorar’ a Maria. Deveria fazer de conta que ela deixou de lhe interessar, mas esta é uma decisão difícil de tomar, tanto mais se não houver aconselhamento
No entanto a separação pode não ser má de todo. Dá-lhes azo a verem melhor e com mais distanciamento os seus sentimentos. Dá-lhes liberdade para conhecerem outras pessoas e poderem através delas verem melhor o que rejeitaram
- estás a dizer que poderão nunca mais de reconciliar? Pergunta Mitó
- quando duas pessoas se separam não estão a pensar na reconciliação, por isso nós também não o deveremos fazer. Para não termos desilusões. O caso da Joana e do Kiko não é vulgar.
- achas que o Nuno já terá chegado ao fundo do poço? pergunta Matilde
- não faço a mínima ideia. Penso que só ele o saberá.
- e como poderemos ajudar o Nuno? pergunta Mitó
- ajudar o Nuno é difícil de fazer, sem ele o querer. A maior ajuda é mostrarmo-nos disponíveis para ele.
- de que nos serve saber todas as fases? pergunta Rita
Vale a pena saber as fazes de uma crise Rita, para conseguires identificar, se alguma vez entrares em crise, o papel que desempenhas e tentar contrariá-lo. Principalmente se for o de dependente.
Poderás ter mão nos sentimentos e tentar não passar por todas as fases desadequadas. Poderás tentar fortalecer-te, ficares mais independente em relação ao outro, para mais tarde poderes lutar pela resolução da crise.
Não se esqueçam que generalizei muito, que condensei mais e que estive a falar de comportamentos padrão. Não se esqueçam que o dependente também pode ser a mulher e o dominante o homem.
É muito vulgar o dominante ser o homem, e não tem a ver com gerações, mas com comportamentos.


11 de Maio de 2009

AS FASES DE UMA CRISE III




Leonid Afremov




- Então diz lá Isabel, pediu Matilde, explica lá porque te parece que o Nuno já foi dominante e já não é.
- porque ao Nuno, desde há uns anos atrás, começou-lhe a correr bem a vida profissional.
Entrou num grupo multinacional onde era difícil entrar, aliás ele foi o único que entrou sem curso superior, lembram-se não se lembram, como ele ficou contente? Depois foi reconhecido como bom no seu campo profissional e, tem vindo sempre a aumentar o seu prestígio, tendo sido promovido várias vezes, além de ter facilidade em agregar consensos.
Por outro lado, a Maria demorou mais tempo até lhe ser reconhecida a qualidade profissional, por isso nessa fase é natural que o Nuno tenha sido dominante.
- mas todos achávamos que eles se davam tão bem, acrescentou a Mitó, e nunca me pareceu que o Nuno não lhe ligasse
- claro que não, acrescentou a Rita. Tanto que gostava dela, que está na merda.
- é isso mesmo. A Maria nunca foi uma completa dependente, porque se conhece muito bem, é bonita, simpática, sabe que o é, faz amigos com facilidade e sempre contou com o amor do Nuno, pois sempre foi o centro dele.
No entanto é uma mulher maternal cujos filhos começam a não precisar dela, quer dizer, como a mais velha é uma rapariga com 11 anos, uma pré adolescente, a necessidade da mãe já não é tão flagrante, começando a sentir que precisa de um espelho exterior ao lar
Foi depois promovida e passou a ter de ir várias vezes por ano ao estrangeiro, como directora comercial, o que lhe dá uma noção de peso na sociedade bem diferente. É-lhe reconhecido estatuto, o que lhe agrada.
Quando foi promovida a vida deles levou um abanão e houve um início de uma crise, que conseguiram resolver naquele momento, mas que deve ter deixado sementes no ar.
Entretanto o Nuno torna a ser promovido para um lugar que lhe exige que ande diariamente a passear pelo país. Fica fora de casa vários dias por semana.
Poderia ter sido bom, mas não foi. Se a Maria pensava que não poderia viver sem o Nuno, ficou a saber que conseguia e que até talvez vivesse melhor. Soube-lhe bem o afastamento.
A bomba aparece personalizada num casal ‘amigo’ bastante mais dela do que dele.
É aqui que se dividem.
A Maria não abre mão de se dar com os novos amigos, ele recusa-se a sair com eles. Parece uma coisa de nada, mas são visões diferentes de vida. Ela quer-se divertir mais fora de casa, ele não
A Maria torna-se dominante, visto que é ela que decide e o Nuno começa a ter medo de a perder.

Notem, que tudo isto se passa no domínio do inconsciente. Penso que a Maria, ainda não se identificou nem como dependente, nem como dominante.
- ainda bem que dizes que é inconsciente, porque não a estou a ver a fazer o papel de controladora, disse Rita
- mas como passou a Maria repentinamente de dependente a dominante? Pergunta Matilde
- passou, responde Isabel, quando o Nuno percebe que está a um passo de a perder, mostra-se perdidamente apaixonado, tentando fazer tudo para lhe agradar, se quiserem uma imagem que diz tudo, “rasteja a seus pés”
- caramba, diz Mitó, quer dizer que a Maria, por mais que ele faça, se vai afastar cada vez mais.
Também não gostava que o meu parceiro rastejasse aos meus pés. Mas o Nuno é inteligente, como cai numa asneira dessas?
- porque foi apanhado pelo paradoxo da paixão, não identificando a fase da crise que está a passar.
A Maria, vai começar a achar enjoativa a situação, vai-se afastar progressivamente, quanto mais insistente ele for.
O Nuno vai deixar de ser sexualmente atractivo para a Maria, que inclusivamente o deixará de achar tão inteligente e tão criativo e, o afastamento acabará por se dar.
- tu não me digas que ela vai achar aquele borracho enjoativo! Exclama Mitó. Dá Deus nozes a quem não tem dentes
E todas se riem como para desanuviar o ambiente pesado que a conversa traz.
- Acaba Isabel, pede Rita, depois de findas as gargalhadas.
- Está longe de estar acabado. Vou acabar a parte do dominante, dando-vos uma imagem.
Enquanto se deram bem, o Nuno era para a Maria um príncipe. Agora mesmo que todos o achem um príncipe, para ela esse príncipe passou a sapo.