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3 de fevereiro de 2009

SAUDADE







Parti para voltar
Parti, imposição a mim própria, para poder chegar
Parti, para me poder transformar
Parti porque é tão bom chegar a casa depois de qualquer viagem. A porta é acolhedora, não há cama como a minha, o sofá já tem o corpo moldado, o cheiro é o que reconheço.
Sempre, a meio de qualquer viagem, tenho saudades de casa.
Saudade, é este nosso sentir tão português, que não consigo definir.
É esta vontade de saber onde pára alguém ou de lhe ouvir a voz, receber um mail, ou ver um comentário num post arrancado sem jeito
É sempre um desejo, que sei que não vai ser realizado…....ou irá, tão simplesmente porque quero
Saudade, este nosso sentir
E às vezes, poucas,
É também querer o não querer
Sentimento ambíguo, desfasado, dual
Esse sentir, que não consigo definir
Saudade, uma genuína emoção, que vem do mais fundo de mim, de nós, ao consciente, que empurro outra vez lá para o fundo, sem que obedeça, pairando, qual fantasma de banda desenhada de branco vestida, rondando, roendo, e ao tentar fazer-lhe uma festa na cabeça, a mão entra por ela adentro e troçando vai e volta não me largando.
Saudade, este sentir português
Não me sai do pensamento
quero e não quero, vai e volta, roi, doi, mas passa, para voltar mais uma vez, infiltrando-se devagarinho e quando dou por ela, lá fica, forte, insistente, poderosa, não me deixa olhar para o lado
Saudade é este nosso sentir, que não consigo definir
Parti, mas estou chegando, semi-transformada, ainda por acabar, não há fim à vista nesta viagem feita diariamente num ir e voltar que talvez tenha um final, num tempo que desconheço.
Parti para ter esta saudade de voltar, de chegar


19 comentários:

Amanda Piassi disse...

Adorei seu blog.
Você escreve muito bem.É forte, consegue chegar onde quer.Adoro isso.
Eu sei que sou uma garotinha,falta muito pra aprender ainda.
Um dia espero que meus textos cheguem aos pés dos seus.
Beeijos, obrigada !

Lucy disse...

Nada mais do que esta saudade bem portuguesa!

Linda música para acompanhar.

Beijo

xistosa - (josé torres) disse...

Hoje vou deixar dois comentários.
Eu sou meio "surdo".
A música são dois sons ou dois tons:
os que gosto e os que não gosto.
Até agora nunca me referi que gosto sempre.
Mas sempre.
É só um pormenor.

xistosa - (josé torres) disse...

Temos um coração diferente, ou a nossa maneira de estar, sentir e agir, trata a saudade como algo consuetudinário ...

Estamos predestinados?
Penso que não.
Só temos o fado que se está a "abrir" a novas variações.

Talvez o mais diferente seja mesmo a chegada a casa ...

Transpomos a porta e estamos em ... Portugal, desculpe, em CASA!

Fatyly disse...

Há sempre um final mas até lá há que partir e voltar com saudade, sinal de renovação.

Beijocas

claras manhãs disse...

Olá Amanda

Eu não disse garotinha, disse menininha, que é bem diferente, minha querida.
Garota, acho que não és, pelo menos no pensar, e esse é que é importante para definir idades.
Obrigado Amanda por gostares de me ler.

beijinho

claras manhãs disse...

Olá Lucy

ando desaparecida, apetece-me não estar tão dependente da blogosfera.
Mas hoje, não sei a que horas, que vou visitar todos.
Tenho saudades!

beijinho

claras manhãs disse...

Olá Xistosa

gargalhada, mas comovida.
Ainda bem que gostas do meu gosto musical.

beijinho

claras manhãs disse...

Claro que em Portugal, é onde fica a minha casa, a física.
Há outra Casa, para mim bem entendido.
Penso que também terei saudades Dessa, embora não a recorde.
Não, não estamos predistinados a nada. o livre arbítrio foi algo que nos foi dado sempre.
Mas a saudade, essa...acho que é muito portuguesa.

beijinho

claras manhãs disse...

Olá Fatyly

é verdade, há sempre um final, o tempo é que é desconhecido.

beijinho

Valentim Coelho disse...

Olá,
vim só deixar um beijinho e dizer que já estava com saudades de vir cá.
Ultimamente tenho andado desaparecido.
Beijo,

Valentim

Mateso disse...

A saudade chega partindo ,e, parte chegando. Esse é o sentimento de ser portugês. Uma espécie algures entre o mar ,e a terra ,num porto sem abrigo, e, abrigado sem porto. Um estar, sem estar, um desejar não desejado. Uma falácia real. Um orgulho não conquistado, e, uma conquista orgulhosa de não se sabe bem de quê. Afinal, tão simplesmente ,da saudade de se ter, o que não se tem, por já se ter vivido.
Gostei e como gostei.
Bj.

Luis disse...

Partir é sempre sem saudade do fica, partir é a ilusão da fuga da constante procura daquilo que nunca vemos.Partir é descobrir o mundo partindo de nós de dentro do peito...

PS Gostei muito do seu blog

claras manhãs disse...

Olá Valentim

Tens andado desaparecido?
Eu a pensar que te tenho visitado num blog em que a assinatura é V
Não é teu?

Beijinho de saudades

claras manhãs disse...

Olá Mateso

Que maravilha de definição, Mateso!
Estou aqui a ler e reler-te.


beijinho

Luis disse...

Vi e ouvi de novo
é envolvente...

claras manhãs disse...

Olá Luis

Bem-vindo!

essa não vale! um blog só para convidados?

É verdade, parte-se sem saudades, por isso se parte, mas não em fuga, pelo menos no meu caso.
Eu tenho outra versão
Nunca se encontra o mundo 'partindo de nós de dentro do peito'
porque o mundo está em nós, dentro do nosso peito.

beijinhos

Luis disse...

Que rever-te

Beijos ternurentos

claras manhãs disse...

se estás a falar do video, Luis, é envolvente sim.
Este tema é cantado pela Roberta Flack,
mas a Leona Lewis tem uma voz fabulosa.
Não percebi o último comentário, as minhas desculpas.

beijinhos