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18 de fevereiro de 2009

OLHANDO O FUTURO




o TOZÉ do blog MINISTÉRIO DA SOLTURA faz, talvez, os melhores desafios da blogosfera.
Neste, transcreve uma pequena parte de um livro, e pede que se escreva sobre o que vier à cabeça de quem é desafiado.
Tive dificuldades com este desafio, porque ser um dos livros da minha vida, por o saber de cor, por não ter conseguido fugir ao livro.

Deitado de bruços, sobre a caruma do pinhal, com o queixo apoiado nos braços cruzados, ele ouvia o tempo soprar entre a ramaria das árvores. A encosta da montanha, no ponto em que repousava, tinha pouco declive, mas mais abaixo tornava-se íngreme e ele via a curva negra da estrada alcatroada que seguia o desfiladeiro.


"In Por quem os sinos dobram", Ernest Hemingway


"Ouvia o tempo a soprar entre a ramaria das árvores" e sentia o sol, quente, desse dia de inverno, enquanto deitado, olhando agora o rio que acompanhava a estrada negra e que em contraste refletia o azul do céu, pensava na missão que lhe tinha sido entregue.
Lentamente, irresistivelmente, virou-se de costas para apanhar os raios de sol que se infiltravam por entre a ramaria em pleno rosto, sentindo-se viver, sentindo a energia fluir que fazia o seu coração bater com uma intensidade desconhecida, como se latejasse , o peito todo latejando.
Por uns momentos esqueceu tudo e todos.
Pouco depois, voltou à posição inicial, não tirando os olhos daquele pequeno rio, que se perdia no horizonte, junto com a curva da estrada, sem saber onde acabava o azul da água e começava o azul do céu.
Via, estremeceu, via o campo onde estava, cheio de corpos estropiados, as árvores meias desfeitas, e, ah! viu também aquela figura feminina que se debruçava a cada novo corpo que encontrava, recortada pela luz encarniçada de um poente majestoso, sem saber onde acabava o sangue que empapava aquela terra e começava o céu.
De vez em quando, ela punha-se de cócoras e com esforço virava o corpo que de borco se encontrava. Naquele último…naquele último, percebeu que chorava pelo estremecer dos ombros.
Não conseguiu ficar longe dela, que parecia tão frágil enquanto percorria as mãos pelo rosto, pelo corpo, do homem que ali estava junto aos seus joelhos, enquanto a ouvia repetir desesperada, não! Não! Não!
Tocou-lhe os ombros e quando ela separou o seu rosto do rosto do homem amado, viu-se ali deitado e viu os olhos dela que suplicavam
Deu por si, olhando aquele rio e aquela estrada, gritando também como ela, não! Não! Não!
gritando, Maria! Maria! Maria!

10 comentários:

Finúrias disse...

Obrigado, obrigado !

Pelo texto que nos faz estremecer, e por estas palavras:

"faz, talvez, os melhores desafios da blogosfera"

Saio daqui com um sorriso largo :)

Beijo

claras manhãs disse...

Olá Tozé

Mas não sabias, ainda, que acho os teus desafios maravilhosos?
Que fazem todos ter vontade de neles participar?
Obrigado, eu

beijinho

Bernardo Lupi disse...

Passei para agradecer a tua passagem lá no motel...

Lu Cavichioli disse...

Boa noite! E aque noite esta ao encontrar este blog!
Estou encantada com tanta beleza contida nesse texto!
Depois vou ver este desafio. Adoro participar.

Muito prazer em te conhecer!
Quando puder, visite-me!

abraços

Nuno de Sousa disse...

Bem...tu realmente tens arte na escrita... ficou lindo em mais um belo momento em teu blog.
Parabéns amiga e vizinha,
NUno

claras manhãs disse...

Olá Bernardo

Bem-vindo ao Claras Manhãs!
E gostei...

beijinho

claras manhãs disse...

Olá Lu

Bem-vinda ao Claras Manhãs.
Obrigado pelo elogio
para participares, tens de pedir que ele to envie.
Os textos que envia, são sempre diferentes.

beijinho

claras manhãs disse...

Olá Nuninho

Sorriso
Tu és uma ternura.
obrigado

beijinho

Fatyly disse...

Deixei lá o comentário e não o deixei aqui:)

Ser encontrado vivo num cenários desses...puxa...tocou-me muito!

Gostei!!!

Beijos

claras manhãs disse...

Eu sei Fatyly

Li lá o teu comentário
Obrigado

beijinho