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21 de novembro de 2008

ROXANNE



ÀS SEXTAS








Olha-se ao espelho com ar crítico.
Ninguém lhe dá a idade que tem, e sorri interiormente, lembrando-se da disciplina férrea que a si própria impôs durante toda a vida, ou melhor, desde que fora estudar para Paris.
O jornalista tinha-a deixado espantada pelo atrevimento; sempre pensara que o que corria sobre ela na cidade, e não só, teria sido suficiente para ele não ter tido a ousadia de lhe vir fazer semelhante proposta.
Ainda irritada, resolveu telefonar a Sofia para desabafar e também para não a deixar a morrer de curiosidade sem saber o que lhe quereria aquele jornalista.
- Sofia? a curiosidade mata-te um dia destes, rapariga! Qual quê! Em vez de estares a fazer perguntas deixa-me contar-te a proposta que me fez.......
sim, fez uma proposta......
não não era desonesta, era idiota.....
posso contar-te ou não?
calcula que vinha todo atencioso, falinhas mansas, propor-me escrever um livro sobre a minha vida, mas “subtilmente” deu a entender que seria ele a fazê-lo, porque eu, pobre desconchavada, não o deveria saber fazer!.....
não me tentes acalmar!.....
claro que estás a ver a minha irritação! Conheces-me bem.
vês o que continuam a pensar de mim, só por ter esta profissão? Querem lá saber se sou culta, ou se falo cinco línguas! querem lá saber que venha gente de quase toda a Europa para conhecer a minha casa! Querem lá saber porque tenho tanto sucesso! continuo com o A de atrasada mental, com o P de prostituta e sei lá quantas mais letrinhas….
vê lá tu, que quando lhe disse redondamente que não, atreveu-se a dizer que era uma oportunidade de publicidade, que ninguém perderia.
E Roxanne ri-se divertida enquanto ouve a resposta da sua assistente e maior amiga.
- Claro que foi corrido, apesar de ter estado sempre com o meu sorriso nº 3. Como se nós precisássemos de publicidade! Então desta!
Sabes o que me enervou? Ter-me posto a rever todo o filme, mas penso que não me arrependo de nada....
está bem Sofia, se calhar não me quero recordar de tudo.
beijinho minha querida, vemo-nos amanhã no escritório.
está descansada, conto-te todos os pormenores.
Roxanne desliga o telefone sorrindo ainda, sorriso esse que se vai transformando em enorme nostalgia, que lhe vela o olhar e toda a expressão.
Abana a cabeça e toda a cabeleira dourada escura, acompanha o movimento.
Recosta-se num sofá da salinha e põe a quinta sinfonia de Mahler, conduzida por Bernstein
E o seu pensamento voa




12 comentários:

JúliaML disse...

humm!:-)

A Roxanne entrou em cena?

é para avançar?

claras manhãs disse...

Olá Júlia

Entrou, finalmente
e para continuar às sextas, vamos ver o que vai dar.
risos
gosto de fazer experiências.

beijinho

claras manhãs disse...

Esqueci-me de dizer, por enquanto é aqui no Claras.

JúliaML disse...

:-)

eu vi logo que estava a preparar-nos para a caminhada! :-)

inhos

claras manhãs disse...

sorriso

vamos ver como sai, Júlia.
Mas de todos os modos vai ser curto.
Acho que nunca saberei escrever com fôlego.

Fatyly disse...

Já tinha lido algumas coisas escritas pela Roxanne e estas sextas feiras prometem:))))

Beijos e um bom fim de semana

claras manhãs disse...

Olá Fatyly

Vai ser bem diferente do que leste.
Veremos se sou capaz.

beijinho

claras manhãs disse...

Esqueci-me de dizer que:
na culinária só faço experiências quando tenho visitas, normalmente saem sempre bem....
Aqui vai ser a mesma coisa. Faço a experiência para todos lerem, e posso desistir a meio.
Só tenho mais dois textos escritos, por isso é mesmo uma experiência para todos e se não gostarem é só dizer.
É assim que se ajuda.

beijinhos a quem passe

Funes, o memorioso disse...

Eu acho que o jornalistas tinha razão. Mas vou ficar à espera para ver.

claras manhãs disse...

risos

Também acho, Funes Querido, mas tenho de experimentar


beijinho

Mateso disse...

Há quem diga que a " curiosidade matou o gato"...mas provérbios à parte, uma bela peça de ironia mundana, sobre um tema actual ao longo de todas as vidas.
Bj.

claras manhãs disse...

Olá Mateso

A ideia também foi essa.
e o julgamento que se faz das pessoas

beijinho