skip to main | skip to sidebar

19 de novembro de 2008

ELOS





CHEMA MADOZ


De elos se formam as correntes, de correntes vive a humanidade, correntes que servem para nada e para tanto...
Correntes grossas, pesadas, que prendem mãos marcadas, torturadas, correntes que castigam, correntes que prendem um homem e uma mulher de maneira impossível, correntes insuportáveis que quebram o espírito de quem as suporta
correntes...
que ligam amigos de maneira forte, inquebráveis, correntes de amizade, correntes blogosféricas, que têm muito que se lhes diga, correntes de generosidade de qualquer um que queira fazer a diferença ajudando outros, tantos quantos as corrente consigam suportar
correntes...
de amor, de paixão, que podem vingar ou não, mas que enquanto duram trazem felicidade a quem as usufrui e quando acabam sempre trazem sofrimento, correntes que aprisionam, a quem não se importa de se sentir prisioneiro, mas que nem existem para quem é livre de se entregar ou não
correntes...
de vento, que empurram obrigando a andar, que viram chapéus de chuva deixando encharcado quem os usa, que correm para se abrigar, mas que também fazem dançar, rodopiar, os felizes
correntes...
de água, de rios calmos e aparazíveis, que escorrem para o mar, onde o sol bate deixando reflexos, onde nos debruçamos para carregar baterias, mas também correntes de água que escavam a terra levando-a para onde não é suposto, que alagam destruindo tudo e o pouco de quem nada tem
correntes...
que se podem quebrar, sempre que se queira e para isso se tenha vontade, correntes partidas que se podem juntar, nem que seja com uma turquez, só é preciso caprichar
correntes...
de ar... são das que mais gosto
há sempre quem diga – fecha a janela, que há uma corrente de ar –
não por mim, deixava as janelas todas abertas para provocar bastantes correntes de ar, frescas em dia de verão, geladas em pleno inverno, que talvez começassem por limpar a casa, mas de seguida iriam limpar outra, tiravam as teias de aranha, partiam para mais outra, de onde limpariam o pó e os restos de mágoas e mais outra, onde a limpeza seria mais profunda, limpando e renovando as vontades e os ideais, vendaval de correntes de ar por esse mundo fora, força tamanha capaz de o mundo modificar, limpando e revolvendo as mentes
correntes...
que não param, que sempre existem aqui ou além
correntes...


10 comentários:

Fatyly disse...

O mundo e tudo que nele está inserido, de uma forma ou de outra é composto por correntes e até as correntes de ar que não vemos têm uma corrente originária.

Se pudessemos tornar realidade a parte final do teu texto...isso seria uma mais valia quebrando correntes que nos asfixiam mas jamais ficarmos totalmente livres de outras que nos aliviam e amaciam a vida.

Um beijo sincero acorrentado à tua escrita:)

cris disse...

não fosse uma corrente de ar fresco e não te teria conhecido, querida :-)
gostei tanto de te ler/ver!
haja correntes assim, que não param, que nos levam aos lugares onde se gosta de ficar provando o sabor ameno de outras correntes.
beijo

JúliaML disse...

espectacular!

este espaço está a ficar muito bonito D. Anónima da Silva! :-)

(há)braços daqui! :-)

claras manhãs disse...

Olá Fatyly

Era bom não era?
Talvez um dia seja possível, minha querida

beijinho

claras manhãs disse...

Olá Cris

Lembras-te como foi? Eu também.
Se sempre houvesse...

beijinho

claras manhãs disse...

Olá Júlia

sorriso divertido

é por ser Anónima da Silva
gargalhada


beijinho, Júlia

LB disse...

Belíssimo texto, muito bem emoldurado.

Beijinho

claras manhãs disse...

Olá Luís

sorriso agradecido

Beijinho

Mateso disse...

Há correntes cujos elos se entrelaçam, depois existem outras que deslaçam e outras ainda que simplesmente se espraiam...
Bj.

claras manhãs disse...

Olá Mateso


Vê lá tu, que me esqueci das que se espraiam
estava mesmo em dia negro

beijinho