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17 de novembro de 2008

A GAIOLA



CHEMA MADOZ



Há gaiolas e gaiolas.Não são douradas, mas há umas que parecem ser. As de porta aberta e as de porta fechada.
Esta está pendurada no ar e tem dentro, de porta fechada, uma nuvem pequenina.
É sempre bom ter uma nuvenzinha de estimação por perto, onde possamos deixar as frustrações do dia –a-dia. Quando a nuven já estiver bem cheia, bem pesada, abre-se a porta e deixa-se sair, porque ela, a nuvem, também precisa de se renovar.
Mas depois de ela partir, tem de se procurar uma outra, pequena e branca, que consiga arcar com a nossa vida, as partes menos agradáveis, a vontade que se teve de responder ao chefe, ou ao colega, a mentira que nos disseram, a sacanice que foi feita, mas para isso é necessário arte, porque uma nuvem não se deixa apanhar assim às primeiras.
Por isso pôe-se dentro da gaiola um chamariz, a que ela não consiga resisitir, sempre com atenção não vá aparecer uma nuvem maior que não caiba dentro da bonita gaiola.
Numa das grades prende-se um beijo com o qual se fez uma laçada com com uma lágrima de alegria e outra de tristeza. Para lhe dar um ar de graça, espeta-se na lágrima de tristeza uma gargalhada e um sorriso terno, por cima do beijo. Está quase pronto o chamariz, só falta um sopro de amor, para ficar irresistível para qualquer nuvem exigente que passe.
Ela aí vem airosa e bem disposta. Quando lá está dento da gaiola, muito brandamente, fecha-se a porta para não a assustar e fala-se com ela explicando-lhe como será importante durante uns tempos, que se querem longos, por ser sempre bom não ter de se usar muitas vezes.
A nuvem não se importa, porque percebe a necessidade que se tem dela, para a vida facilitar.
Uns tempos depois, com a prática, já não haverá necessidade de nenhuma nuvem, então deixaremos a gaiola pendurada no ar, de porta aberta e para não ficar completamente vazia, penduram-se nas grades, algo de que todos gostem
Um quilo de sorrisos leves, de todas as cores e formas, não esquecer também os brejeiros, que são sempre uma boa aposta para os que andam sempre inseguros; meio quilo de risos bem dispostos, para espalhar alegria de quem passa, uma mão cheia de gargalhadas, alegres e trocistas, altas e irresistíveis, de maneira a quem passe ser contagiado. Beijos soprados, leves como espuma das ondas , dos apaixonados também é bom não esquecer e beijos amigos, para lembrar a todos que esta gaiola é verdadeiramente dourada, por ter sempre a porta aberta. Amor, muito amor, desde o mendigo que passa até ao inimigo, que passa também a dizer mal baixinho.
E assim, simplesmente, se constroiem pequenas felicidades , para quem passa poder colher, neste mundo de miséria.
É fundamental não esquecer de repor, diariamente, a dose recomendada.

24 comentários:

prafrente disse...

E não se pode falar de amor sem lhe associar a imagem de uma gaiola? Pássaro, gaiola, gaiola prisão...não combina não...

Lembro-me de uma poema, do poeta brasileiro Olavo Bilac,em que ele dava voz a um passarinho que vivia numa gaiola dourada e cantava, cantava...não de alegria mas de tristeza...porque preferia a liberdade da floresta...mesmo que fosse mais perigoso aí viver...

Bjinhos

Madalena disse...

:)

E aqui está uma "Simpatia" de fazer inveja a qualquer verdadeira Wicca.

Bonito.

Bjs

claras manhãs disse...

Olá José


Aqui não estou a falar de amor, falo de como nos livrar de pequenas frustrações
Pode-se usar uma almofada se quiseres
E esta minha gaiola, quando falo de amor está aberta

beijinho

claras manhãs disse...

Viva Madalena


Tomara ter a sabedoria de uma Wicca.
Mas que a Mulher é, deveria ser, A Deusa Mãe, disso não tenho dúvidas.

beijinho

Zica Cabral disse...

Fantastico texto. Muito bem escrito. E tem razão, é preciso sobretudo amor. Pelos que sofrem, pelos que riem, pelos mais carentes, pelos mais afortunados. Pelos animais e plantas que constroem e povoam o mundo, pelo planeta em Geral e o MUNDO em particular. Considero-me fazendo parte dos afortunados (sem fortuna material mas uma imensa fortuma emocional). Sou apaixonada por natureza e procuro partilhar as minhas paixões com os outros.Amo e sou amada tb por muita gente. Sei que sou.
Tb tenho a minha nuvem, mas não está numa gaiola, não precisa! É livre de ir e vir quando eu preciso. Não gosto de gaiolas gosto de sentir as coisas livres.
Um abraço
Zica

Carla disse...

tão lindo este teu texto que nos leva a acreditar que a felicidade pode estar nas pequenas coisas?
beijos

claras manhãs disse...

Olá Zica


Bem-Vinda ao Claras Manhãs!
Engraçado, porque nunca fui fâ de gaiolas, mas achei encantadora esta com a nuvem dentro e tentei redimir as gaiolas.
Pelos vistos não têm remissão possível.

beijinho
Minucha

claras manhãs disse...

Olá Carla

A felicidade está mesmo nas pequenas coisas, não existe sem elas
As grandes coisas são um óptimo complemento.
Mas quando as grandes não existem, as pequenas estão sempre lá.

beijinho

Fatyly disse...

Podes não acreditar mas comoveu-me este magnífico texto que veio embelezar ainda mais o letreiro que tenho sempre exposto no meu rosto...no meu coração:

A minha vida sempre foi feita de pequenos NADAS e NADAS tão cheios de TUDO!

é isso mesmo...é assim mesmo e cada um dá-lhe a forma que desejar.

Obrigado por este momento tão mágico e verdadeiro.

Beijos sinceros

Zica Cabral disse...

Vi o teu comentário no meu blog e gostava de saber o nome da tua cunhada. Pode ser que a conheça ou, pelo menos que já tenha ouvido falar dela. Se fi do primeiro curso f~e-lo tb com o Gonçalo Ribeiro Telles e com o Edgar Fontes E essa geração.

Beijinhos

Pois eu tb nunca fui fã de gaiolas. coisas presas fazem-me impressão. Por isso nunca consegui ter passaros enjaulados ou mesmo aquarios. Eu sei que é mania mas faz-me pena dos bichos.

Funes, o memorioso disse...

Discordo em absoluto da ideia transmitida por este post.
O amor é dispensável. Ou melhor, o amor é aquilo que une duas pessoas com um ódio comum.

claras manhãs disse...

Zica

respondo-te num dos teus blogs.

beijinho

claras manhãs disse...

Olá Funes Querido


E o ódio comum deve ser aos telemóveis, não?
sorriso
Nan! o amor é fundamental na vida, e o resto é desconversa

beijinho, Funes

JúliaML disse...

humm
texto bonito!...

só a tirsteza tem história...

beijo grande meu

Mateso disse...

O sentir plasmado em nuvem alba. O sentir gradeado. O sentir...Mas o sentir não tem forma nem cor. é assim solto, aéreo. Um pouco de nós. Para quê apanhá-lo, ele flui e foge.Tanto e tão depressa...
Um pedaço de sentir em palavras. As gaiolas da alma.Lindo!
Bj.

inespimentel disse...

Estava eu a dar-me um tempo para arrancar com um post sobre uma particular habilidade que tenho para encontrar uma nuvem negra e me enfiar debaixo dela e vim espreitar-te... bolas isto é difícil de entender, estas sintonias!
Mas o que interessa verdadeiramente é que este teu texto está uma delicia... adorei!

claras manhãs disse...

Olá Júlia


É isso mesmo, só a tristeza tem história

beijinho grande

claras manhãs disse...

Olá Mateso


As pequenas frustações não fogem tão depressa qunto queremos.

beijinho

claras manhãs disse...

Olá Inês

Minha querida, estou fartinha de te dizer que esta coisa de fazermos anos em dias seguidos, dá estas sintonias.
sorriso divertido

beijinho

claras manhãs disse...

Olá Fatyly

Desculpa, deixei-te passar...

Sabes que para mim as pequenas coisas também são muito importantes.
Quando a neura aperta, se não forem as pequenas coisas....

beijinho grande

Zica Cabral disse...

viveste 23 anos em Carcavelos?? Quando e onde? É que eu tb lá vivi até aos 14 anos e provavelmente eramos capazes de nos conhecer ( ou então as minhas irmãs mais velhas).
Quanto à tua cunhada tenho ideia de ouvir falar do apelido. Se foi aluna do Gonçalo já não foi do primeiro curso mas dos que se lhe seguiram. Seja como fôr, o curso de Arquitectura Paisagista só foi tornado independente uns anos depois do 25 de Abril. Até lá esteve sempre ligado a Agronomia.
bjs
Zica

claras manhãs disse...

Já não nos conhecemos Zica, porque sí fui viver para Carcavelos com 26anos, mas vivi em frente ao colégio dos Maristas, que rigorosamente era fronteira entre Carcavelos e Parede.
Só que, não sei porquê nunca gostei da Parede e o meu circuito era sempre em Carcavelos.
Já não me lembrava que só tinha sido separado de Agronomia tão tarde.
Se não estou em erro, a minha cunhada entrou em Arquitectura Paisagística ou em 68 ou em 69.
Não consigo ser mais concreta.

beijinho

Luís Maia disse...

Tenho estado off, sem serviço graças á PT e tive esta boa surpresa.

Que já não é atendendo às tuas qualidade na escrita e sobretudo na alma que trazes contigo

jito

claras manhãs disse...

Olá Luisinho

meu querido, andava espantada por não ver nada actualizado lá para oa teus lados
Todos, eu e tu, pelo menos e já somos todos
(gargalhada)
andamos a ver navios com a PT
Obrigado Luís pela última parte do teu comentário, dás-me força.

beijinho