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3 de outubro de 2008

MULHER QUE NO RIO LAVAS

Fotografia de NUNO DE SOUSA
Mulher que já depois de tantos anos da revolução e de revolucionárias, a pedirem, a exigir, condições iguais, ainda aí está lavar a roupa no rio, que consigo leva a tábua de esfregar, os alguidares e o detergente, sem água canalizada ou esgotos.
Nem tempo tem para no rio se mirar, galochas altas calçadas, esfregando a roupa do seu homem….
Olho as sombras e os reflexos, e toda esta beleza, quando tempo tenho
Quando era jovem vinha para aqui namorar e ele dizia-me que era a cachopa mais linda, de entre todas a escolhida, e eu ria-me e ficava todo orgulhosa….….no rio, enquanto por ele esperava, olhava meu reflexo com os outros misturados e gostava do que via, cabelo comprido muitas vezes feito em trança, delgada como um junco……que rápido passa a juventude, sem termos tempo de nela mergulhar; quando vamos por ela, já não existe, fica só a marca.
Felizmente não sabemos o que o futuro nos traz, não é que tenha queixas a fazer, porque saúde tenho e trabalho não falta, felizmente, mas é vida de labuta que não me deixa em nada pensar, que faz com que chegue à cama derreada, sem vontade de nada e o meu homem ali a querer mais do que lhe posso dar.
Claro que tem razão, a Senhora, a vida não deveria ser só labuta, mas que havemos de fazer, os homens ainda não nos ajudam, nem me posso queixar do meu, que não é homem que venha da taberna bebido, que bebe também, mas não vem para casa a cair como tantos que por aí andam, nem vem a embirrar com ninguém, que nunca me bateu, tem defeitos como todos nós, mas não são nada por aí além.
Com os filhos? Não senhora, não ajuda com os filhos, mas isso é natural, os filhos é com as mães…está bem que também trabalho, mas os filhos sempre com as mães foram, só lá para a cidade é que as coisas mudaram e isso que está a dizer, deve ser só por lá ouvido.
Mas às vezes ao sábado quando o dia está lindo como hoje, venho para aqui sentar-me e às vezes, se não está ninguém à vista, até me banho, muitas vezes fiz isso quando era garota e mais tarde também, as saudades que tenho do tempo livre que então tinha…..Não era muito que lá em casa éramos tantos que tinha de ajudar minha mãe, mas sempre tinha mais do que agora.
Mas nesses sábados que para aqui venho, até uma alma nova arranjo, e deixo-me ficar a olhar o rio que vai até Lisboa e penso se um dia me deixasse ficar a vogar nele se me levaria também, tão docemente como o faz às folhas que na água caiem.
Não sei nadar não, mas também não preciso, porque o rio só aqui é quentinho, aqui na margem com água pouca, com este sol depressa aquece. Mas hoje não tenho tempo.Aquilo que estava a dizer era só a pensar…..é o que penso quando tenho tempo para um pouco descansar. Não me faz falta e daqui não quero sair, o que queremos é ter melhores condições de vida.
Então até qualquer dia. Gostei de estar este bocadinho na conversa com a Senhora…….Ui! mas já me atrasei tanto…..Boa Viagem!



NOTA:Este post foi editado no dia 4 de Abril de 2008 no blog CASA COMUM, que merece as vossas visitas.

8 comentários:

Luís Maia disse...

Obrigado pela renovação da publicação desse post, lá da Casa que também foi tua e te receberá se e quando quiseres

Fatyly disse...

Muito suave e belo...Ui! como gostei:)

Beijos

claras manhãs disse...

Meu Querido

És um amor.
Ando sem tempo, mas nunca se sabe...
Fazes-me falta!

Beijinho

Minucha

claras manhãs disse...

Olá Fatyly

obrigado, minha querida

beijinho

xistosa - (josé torres) disse...

A imagem lembra-me algo ... não quando lavava no rio ... só me lembro de lavar as redes que apanhavam as trutas salmonadas no Minho, mas a memória já se vai esbatendo.
Lembro-me perfeitamente desta "entrada" triunfal no rio.
Não tenho aparecido ... posso ser um ingrato, mas o tempo aqui no meu cardenho só tem 60 minutos por hora, por ora e daqui avante.
Espero estar mais livre para visitar os locais de interesse turístico.
É que além do "trabalho" de reformado, apareceu-me trabalho activo e estou a tirar um curso de "compostagem" ... só uma caixa de pirolitos vazia é que faz tantas coisas!!!
Vou tentar ...

claras manhãs disse...

Olá Xistosa!

Que maravilha, estares no activo!
sorriso
é essa a vantagem das mulheres: estão permanentemente no activo, mesmo quando não o querem estar

Beijinho

Mateso disse...

Com emancipação, direitos iguais ou pseudo, evolução , mais as "benditas" cotas, a mulher é sempre mulher... no trabalho de todos os dias.
Sempre oportuno este texto!
Bj.

claras manhãs disse...

Olá Mateso


A mulher continua a fazer o que sempre fez, desde há uns anos acerescentando o trabalho fora de casa.

Beijinho