Feiticeirita chamava-lhe ele com ternura, sempre que a via correr de braços abertos ao seu encontro, admirando a cada dia que passava a sua beleza.
Cresceu a ouvir aquela voz meiga que ondulava em mar de amor, para dizer a palavra “feiticeirita” e ela habituou-se a pensar que o mundo era como ele, apesar de encontrar outros que assim não eram, julgando que seriam uma excepção.
A sua morte apanhou-a no fim da adolescência, muito perto dos dezoito anos. Viveu o desgosto em SILÊNCIO, como é próprio da dor profunda, MÃOS nuas, vazias de afectos, esperou pelos 18 anos para partir a correr mundo.
Ia trabalhando aqui e ali, qualquer coisa lhe servia, para conseguir comer o PÃO de todos os dias, mas assim que juntava algum dinheiro, partia mais uma vez, não criando raízes em lado nenhum.
Perdeu-se na Índia, tão carregada de MISTICISMO
perdeu-se na INFINITUDE de caminhos que encontrou e na dificuldade de fazer opções, perdeu-se pelo homem que foi o seu primeiro amor.
Viveu esse amor, como tinha vivido a dor da perda, intensamente, como se finalmente tivesse entre as mãos a maior PRECIOSIDADE, sem olhar em redor, sem querer saber de mais nada. Ele sentiu-se o rei daquela ingenuidade, de completa entrega, começando a URDIR um esquema em que pudesse tirar proveito da sua beleza. Quando percebeu o que queria que fizesse, a ALEIVOSIA que urdira, partiu desfeita, em direcção às montanhas, passando a acreditar que todos eram iguais, que jamais acreditaria em alguém.
Comia o que lhe davam pelos caminhos por onde andava mendigando, magra, cabelos desgrenhados, era olhada com COMISERAÇÃO por todos que se apercebiam, pelas vestes esfarrapadas e sujas, ser uma estrangeira que não estava associada a nenhum templo.
Feiticeirita andou durante quase dois anos, sem saber o que procurava, só tentando esquecer aquele amor que lhe levara toda a alegria de viver. O caminho traz muitas vezes o esquecimento, ou pelo menos o adormecimento da dor, é um UNGUENTO eficaz para a alma.
Naquela manhã quando acordou o sol ia alto e quando olhou para o cimo da montanha viu o que lhe pareceu um sonho, um pequeno templo cujo SINCELO brilhava à luz do sol e à ideia veio-lhe a noção que tinha de EREMITÉRIO. Subiu esperando que pudessem admitir mulheres, era ali que queria ficar, era ali que precisava de ficar.
Ficou durante alguns anos, aprendendo a esquecer, aprendendo a abrir o coração e a alma, aprendendo a respirar o silêncio, para mais tarde já resplandecente, descer a montanha e continuar o seu caminho de Feiticeira.
Cresceu a ouvir aquela voz meiga que ondulava em mar de amor, para dizer a palavra “feiticeirita” e ela habituou-se a pensar que o mundo era como ele, apesar de encontrar outros que assim não eram, julgando que seriam uma excepção.
A sua morte apanhou-a no fim da adolescência, muito perto dos dezoito anos. Viveu o desgosto em SILÊNCIO, como é próprio da dor profunda, MÃOS nuas, vazias de afectos, esperou pelos 18 anos para partir a correr mundo.
Ia trabalhando aqui e ali, qualquer coisa lhe servia, para conseguir comer o PÃO de todos os dias, mas assim que juntava algum dinheiro, partia mais uma vez, não criando raízes em lado nenhum.
Perdeu-se na Índia, tão carregada de MISTICISMO
perdeu-se na INFINITUDE de caminhos que encontrou e na dificuldade de fazer opções, perdeu-se pelo homem que foi o seu primeiro amor.
Viveu esse amor, como tinha vivido a dor da perda, intensamente, como se finalmente tivesse entre as mãos a maior PRECIOSIDADE, sem olhar em redor, sem querer saber de mais nada. Ele sentiu-se o rei daquela ingenuidade, de completa entrega, começando a URDIR um esquema em que pudesse tirar proveito da sua beleza. Quando percebeu o que queria que fizesse, a ALEIVOSIA que urdira, partiu desfeita, em direcção às montanhas, passando a acreditar que todos eram iguais, que jamais acreditaria em alguém.
Comia o que lhe davam pelos caminhos por onde andava mendigando, magra, cabelos desgrenhados, era olhada com COMISERAÇÃO por todos que se apercebiam, pelas vestes esfarrapadas e sujas, ser uma estrangeira que não estava associada a nenhum templo.
Feiticeirita andou durante quase dois anos, sem saber o que procurava, só tentando esquecer aquele amor que lhe levara toda a alegria de viver. O caminho traz muitas vezes o esquecimento, ou pelo menos o adormecimento da dor, é um UNGUENTO eficaz para a alma.
Naquela manhã quando acordou o sol ia alto e quando olhou para o cimo da montanha viu o que lhe pareceu um sonho, um pequeno templo cujo SINCELO brilhava à luz do sol e à ideia veio-lhe a noção que tinha de EREMITÉRIO. Subiu esperando que pudessem admitir mulheres, era ali que queria ficar, era ali que precisava de ficar.
Ficou durante alguns anos, aprendendo a esquecer, aprendendo a abrir o coração e a alma, aprendendo a respirar o silêncio, para mais tarde já resplandecente, descer a montanha e continuar o seu caminho de Feiticeira.
25 comentários:
Querida luminosidade matutina, não tenho escrito pelo motivos de sempre, isto é, por não haver o que escrever. Houve, na quarta, e lá está.
Outro blog? Não compreendo.
(O Horácio nada sabe do outro blog, é melhor nem comentar com ele. Quando acontecer, serás a primeira a saber. No mais, adorando seus textos e suas fantasias, como sempre)
Viva Horácio!!!
Nan, tu fazes-te caro!
De três em três semanas? e ficamos todos a desejar-te...
Já lá vou ver
já me estou a rir só de pensar o que será desta vez.
Fica a promessa, não te esqueças, heim?
beijinho
aqui há feitiços em verbo!
Olá VFS
Bem-vindo!
sorriso
Feitiços em palavras, há consigo!
Uma beleza o que escreve.
beijinho
Andei por estas paragens - ontem.
Não quis escrever sobre, Facundo Cabral.
Coisas de um interior que talvez interiorize algo de errado.
Mas já passou.
As surpresas que a vida nos presenteia.
Umas e outras, bem apuradas, talvez se conseguissem decifrar.
A clausura pode ser um meio para uma desculpa difusa, para colocar um ponto final em algo que se pretendia.
A nossa Feiticeirita viveu o Silêncio, de ter nas Mãos o Pão do Misticismo que a Infinitude da sua Preciosidade, tentou Urdir, numa Aleivosia de Comiseração.
O Unguento dum Sincelo, (gelo pendente), para recolhimento num Eremitério.
Felizes 12 palavras, livres, frescas, escorredias, prisioneiras da caneta, que se soltam nos caminhos de montanha.
Um bom feriado.
é demais para mim, li a custo até ao fim..
dói..
Lindo texto, como sempre...
Mas hoje apetece-me dizer que o desenho apresentado me fez pensar na Duquesa de Mãntua, no Miguel de Vasconcelos...e naquele dia de 1640 em que o fulano foi atirado pela janela do palácio e recambiado para Espanha...
Mas passados 368 anos eles vingaram-se bem.Agora até os tomates que eu compro no supermercado são espanhóis...
Boa semana
Tão belo e triste, como a vida...
SALVÉ "CLARIDADE"!!
Não conhecia a sua existência..mas é sempre assim...através de alguém - quetambém não conhecemos - chaga-nos a "calridade", somos veículos e por vezes a sincronicidade, dá-se.
Gostei imenso notexto, sorvi-o num trago, porque me ez recordar há 10 anos atrás...e hoje, emboranão tovesse descido a montanha, mas tenando o persurso da sua subida, dei-me ao luxo de me "cognominar" de eremita...no feminino!
Sempre chegamos a algum lado...para CRESCER! - nem que para isso tenhamos de sangrar, de suare de verter lágrimas...
Grata pela disponibilidade, mas fiz uma directa ante-ontem. Após várias tentativas e para o cérebro não ficar mandrião, consegui elaborar um apêndice a que chemei de "blog complemento" de nome Mariz2, onde estão concentrados todos os pots, desde a minha aparição "aventureira nesas lides" da bloosera. Foi em fins de Março deste ano.
Vou linkar o seu blog. Posso? Tem lá uma "casa" ás suas ordens...é só entrar...
Abraço para o futuro...
Mariz
Grata!
Peço desculpa das gralhas mas o meu teclado e sogretudo o cursor não estão famosos...estão como o tempo!
Errata: (na sequência do texto)
"claridade"/gostei imenso "do" texto/
porque me "fez" recordar/e hoje embora não "tivesse" descido/mas "tentando o percurso/de sangrar, de "suar" e de.../minha aparição "nestas" lides da "blogosfera"
Mais valia ter escrito de novo...
que coisa!
M.
Oh Xistosa!
Se soubesses a falta que me tens feito....
Adoro os teus comentários.
Tu devias era entrar no jogo das 12 palavras, não sei porque não o fazes.
Naquele bocadinho está lá tudo e bem melhor que o meu texto.
Sobre o video....não era essa a ideia, meu querido
beijinho
Olá Júlia
Doi sim, Júlia.
A mim doeu-me, pelo menos.
beijinho
Olá José
Vê lá tu, que estava a pensar mandar-te o video que coloquei em cima, por pensar que não o verias.
É lindo!
Deixa que a agora que já pode ser não calibrada, vai começar a aparecer a nossa, meio bichada, como antigamente.
Saborosa, sem ser só água.
beijinho
Olá Mofina Mendes
Como a vida, sim.
É pena, mas existe.
beijinho
Viva Mariz
Bem-vinda ao Claras e mais uma vez à blogosfera, que ela lhe seja doce.
fazem parte da vida, as descidas, mas principalmente as subidas.
Nada de pensar que quem sobe sempre desce, porque o ideal é ficar-se sempre lá em cima.
Fica de qualquer modo a saber que me deito tarde, sou noctívaga.
Quanto às teclas....as minhas parece que noutras mãos são boas, mas nas minhas... nem sempre obedecem.
risos
Vou lá dar uma espreita não tarda nada.
Hoje é dia de broas cá em casa, e demoram um tempão a fazer
Beijinho
Que maravilha!!
Beijos
Salve "Claras" de novo
Passei para linkar o seu blog, como pedi...
E desta vez notei que também deu realce ao Maurice Béjart...
engraçado!...porque eu também.
Convido-a depois da festa com as broas - a assistir a tal beleza.
Como estou sózinha,(?)embora nunca se esteja só - mas não faço qualquer doce,nem comemoro outras festas anuais com mais alguém sequer, a não ser com o Universo e os meus animais - muito embora possua uma família numerosa...
Quando se inicia determinado Caminho e se acaso outros que nos rodeiam não acompanham essa "pedalada"....ficamos isoladas/os.
Foi o que aconteceu - sem querer...
AH! também sou notívaga...raramente adormeço antes das 2h ou mais - lendo ou escrevendo.
Feliz festa
Abraço
Mariz
As minhas broas não são para nenhuma festa.
Eram tradicionalmente feitas pela minha Avó no 1º de Novembro e passei a fazê-las no 1º de Dezembro, para destribuir pelos filhos, tal como fazia a minha Avó.
Quanto ao que dizes sobre os 'Caminhos' sei exactamente ao que te referes.
Pode-se estar isolado, no meio de muitas pessoas.
Parece-me que nos vamos dar muito bem.
beijinho
Olá Fatyly
Obrigado, minha querida.
Beijinho
Olá Claras,
de facto recebi o email deles e não fazia ideia que tinhas sido tu! Como só o vi sabado à noite achei melhor ligar-lhes só amanhã, já que não queria incomodar durante o fim-de-semana e o feriado, por isso amanhã de manhã ligo-lhes logo!
E muito muito obrigada, de facto assim que terminasse a faculdade ia à procura de uma galeria e assim graças a ti, se for possível para eles, já posso ter uma exposição!
Mas depois amanhã falo com eles e logo digo qqr coisa.
Bjs, obrigada e boa noite,
Catarina
Olá Catarina
Fico contente por achares boa ideia.
Beijinho
Querida,
Este blog és Tu, ou pelo menos como te imagino. E posso te dizer que é perfeito, sim, a cor , a música, os textos...tudo, até o título...fica com ele, trabalha-o. Virei cá todos os dias.
Este blog és TU.
beijo doce
Sam
Viva meu querido!!!
Este Claras não é como o outro, agora só trabalho às segundas, quartas e sextas.....
O patrão não pagava mais.....
Obrigado Sam, mas tu és um querido
Beijos, grandes e coiratos....
Olá!
Vim aqui para deixar a minha surpresa por aquela Roxanne(?)
É a sua foto? Mas afinal as broas nao eram paa os filhos...que rica mãe, tão nova e esbelta! - se assim for...caso não...aquele blog destina-se a quê...não existe nada...pelo menos que eu visse...mas também tem de se dar um desconto, porque sou completamente despistada e caloira nesta coisa de informática sou uma nulidade.
Abraços com broas e obrigada pelo mail. Vim aqui propositadamente a este post, porque já passou.....
Olá Mariz
Penso que já te respondi por outra via.
beijinho
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