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26 de agosto de 2008

ARRÁBIDA*





Je t'aime - Claude Théberge




Estava sentada na areia, naquela areia grossa, braços envolvendo os joelhos, mergulhando naquele mar que adora, Pedra d'Anicha em frente, roubando bocadinhos aos deuses, que nos dão a ilusão de contacto com o Universo, de sermos unos, de o ter compreendido naqueles poucos segundos, que nos fazem transbordar de felicidade.
Estava imersa naquela água, olhos liquefeitos quando sentiu alguém a sentar-se ao seu lado. Fechou os olhos sem querer dali sair, oásis já perdido.
Devagarinho foi tomando consciência do que a rodeava e sentiu uma mão a apertar a sua.
Ficou só mais um pouco, sentindo aquela mão na sua, sabendo que não lhe pertencia, só mais um pouco, para sentir o calor daquela mão na sua, subindo pelo braço e estendendo-se a todo o corpo, mão proibida
só mais um pouco, para sentir o sangue a fervilhar-lhe nas veias, apagando as saudades de um sentir igual, de uma mão que se iria embora
só mais um pouco… só mais um pouco...querendo ficar nele aninhada, não querendo tomar decisões, cansada de as tomar, esperando que dissesse qualquer coisa, que falasse.
Tocaste o Universo, Doçura!
Olhos finalmente abertos, ainda espelhando as águas e o céu, fixando-o e pensando como poderia ele ter adivinhado
Tocaste o Universo e depois disso é preciso um banho de água gelada, disse Pedro, puxando-a pela mão, ajudando-a a levantar-se, obrigando-a a correr pela praia fora, feita criança quando tanto ansiava por um mergulho bem frio, depois de ter estado a apanhar o calor do sol, como um lagarto correu pela praia fora com a ânsia de mergulhar nesse mar de amor que sentia tão intenso, pela primeira vez, com um calor igual ao de sol, incandescente, e ria, ria....
Já na água, olhando a Serra enquanto ele a beijava só pensava, ele é casado, ele é casado, ele é casado....
Mas o beijo não mais acabava, desfazendo-lhe as dúvidas, amaciando-lhe a vontade e por fim cedeu, com uma imensa felicidade, em ir com ele.....onde quisesse, qualquer sítio lhe era igual.
Ficaram na Pousada de Palmela.


*Este texto já foi editado num outro blog.
Foi revisto, porque lhe quero dar uma outra continuação, diferente da que teve na altura em que foi escrito e editado

11 comentários:

xistosa - (josé torres) disse...

Que infelicidade para a felicidade latente, obrigá-la a mergulhar nas nossas, (do país), águas frias.
É verdade que para parar a fervura necessitamos de água fria.
Mas valerá a pena interromper assim um borbulhar?
Mesmo que os braços dum abraçante nos mantenham abrasados e nos obriguem a abraçar, (lutar), para nos mantermos cingidos e acomodados ás "pequenas" coisas da vida.

Ou um amor louco é uma grandiosidade?

Talvez ... daí a imensidão do dia ... que nos conduz a qualquer pousada. ( Aquela jornada que se avizinha de lutas titânicas).
(A frouxidão do pré-descanço)
Não "Pousada"!

claras manhãs disse...

Olá Xistosa

Meu querido, mas aquela água fria é espantosa e transparente.
Só no mar se pode apreciar bem a Arrábida
Os fotógrafos esquecem-se disso.
Uma pena.

beijinho

Pena disse...

Minha Amiga:
Uma narrativa/conto concebido por mãos fantásticas e doces.
Insólito por ser admirável e sensual.
As palavras adquirem magia num Universo de sonhos fantásticos e puros de imensa beleza sedutora.
Gostei muito.
Beijinhos amigos de estima, respeito e consideração.
Sempre a admirá-la

pena

Meg disse...

Do despertar do sonho para o imenso turbilhão de uma realidade cheia de contradições e ao mesmo tempo de certezas.
Sensualidade à flor da pele, um texto forte e revelador de uma alma voluntariosa.

Bjs

JúliaML disse...

:-))

não se enganou na Id?
ehehehe

eu já li o texto tantas vezes! quero ler o fim,uma vez qu diz que continua!

claras manhãs disse...

Olá Pena


bem-vindo ao meu novo espaço?
Agrada-te?
Obrigado, pelo a tua opinião

Beijinhos

claras manhãs disse...

A idade sugerida é agradável, Júlia

beijinho terno

claras manhãs disse...

Olá Júlia

Escrevi um outro comentário que desapareceu.

Continua amanhã, só para não ficar solto, mas terá continuação prolongada no tempo, que de vez em quando irá aparecendo

beijinho

claras manhãs disse...

Olá Meg

Não sei o que se passou ontem, desapareceram os comentários.
Gosto deste novo espaço e vou ficando cada vez melhor.

Beijinho

Fatyly disse...

Gostei desta tua revisão e recordo que irias dar continuidade e aguardarei neste:) porque ficou maravilhoso.

PS: tenho vindo aqui e não tenho conseguido comentar não sabendo a razão. Mas hoje esta caixinha abriu:)

Um beijo amiga

claras manhãs disse...

Mas tenho tido os comentários sempre abertos, Fatyly


Beijinho